sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E finalmente,

cheguei naquela casa. Ela tinha cheiro de poeira, e não desagradava a quem pisava naquele taco, por fazer um barulho aconchegante, talvez. Fazia um barulho que parecia vir lá da infância, enquanto eu andava e fazia bagunça, e minha vó amassava aquele pão, que eu jamais o sentiria denovo de tão bom.
Era o final perfeito. Eu não tinha expectativas e por mais que eu tentasse engolir cada frase mal dita às paredes, eu as empurrava com água e algum suco qualquer, de abacaxi.

Só o simples fato de estar alí, era o suficiente.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Se já se foi..

Eu tentei trocar meus sonhos, por algo bem sutil, mas que ninguém pôde dar. Andei quilômetros de distância, visitei cidades nas quais eu jamais imaginei estar um dia - porém, hoje são a minha casa, também - e mesmo assim, não tive sucesso.
As vezes quando chego na rua onde moro, penso que lá também é a minha casa. E talvez eu até dormiria na calçada, com um cobertor apenas. Porque lá eu me sinto bem. E talvez eu nem precisasse dar os meus sonhos em troca, apenas os entrelaçaria junto ao seus. Talvez o que eu proponho não tem sentido, se você nunca o pediu.
Meus sonhos são reais dentro de mim, eu não poderia me desfazer deles, eu pediria então pra que você me esperasse, pra ver se em algum momento as flores iriam murchar. Não dá pra imaginar um futuro distante sem meus sonhos pra sonhar. Então daria pra regar, e todas as vezes que algo em nós planejasse morrer, iríamos regar. Porque tudo nessa vida acaba, mas não pra sempre, sempre há um recomeço daquilo que já morreu. Eu chamo isso de sonho. E é por isso que eu peço desculpas, por um dia querer dar um piano pra você segurar, enquanto seus dedos suportavam apenas um teclado, com boas canções.
Ah...as suas canções. Eu poderia escrever um livro contando quais foram as que eu mais me apeguei.
Mas hoje já se foi. E se um dia recomeçar, sabemos que outro dia desses, já morreu.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sempre quis.

Já peguei muitas tempestades no meio do caminho, talvez tenha me mostrado por onde ir.
Já me sinto cansada demais pra poder recomeçar, mas tão tolos somos nós, que sempre enxergamos uma luz no final do túnel, como quem come um doce e espera ansioso por outro.
Eu sempre vivi só, mas reconheço que foi porque eu quis. Tantas pessoas passam despercebidas e fingimos que não estamos vendo. Muitas das vezes, não estamos vendo mesmo. Esperando uma bifurcação que corra pra longe de tudo o que te cerca.

Já chorei demais. Não consegui ver, de tantas lágrimas que corriam, talvez fosse um desapego que estava tomando conta do que ainda vivia dentro de mim.

Sempre quis não querer, sempre quis não amar, sempre quis não viver.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Lágrimas jorradas sempre vem à tona.

Tentando criar uma, dentre mil maneiras pensadas. Maneiras de me apoderar de um coração.
Não imaginei ser fácil, por isso, a procurei de uma forma lenta, para que lento também fosse seu fim.
Mas eu entrei pela porta errada, e nesse corredor de possibilidades há tantos desencontros, eu consegui enxergar cada um deles - entendendo assim, que esse lance não é bem pra mim.
Eu andei por tantos corredores errados, que hoje, quando me vejo mais uma vez em um deles, as lágrimas correm como um vulcão em erosão. Antes eu pensava que tinha achado a saída, e com o passar do tempo, eu ví que nunca a achei. Talvez as marcas foram tantas que resolveram aflorar agora, como se tivesse chegado o verão - no auge da minha idade.
Não é tão atoa que eu mudei meus planos. A estrada é sempre a mesma, só irei averiguar com mais cautela a cada porta que eu pensar em bater..

terça-feira, 6 de julho de 2010

Os sorrisos

Tenho tentado desembaraçar todos os nós, e mesmo assim, alguns não se desatam. E não é culpa minha, eu juro.
Fico horas pensando se o problema está em mim. Mas o que foi que mudou totalmente os meus planos dessa forma? Eu juro, só procurei viver tudo o que eu podia.
O coração dói, e é como se eu tivesse tirado algo de mim, algo que me faz muita falta. E mesmo pelejando e quase me matando para tentar lembrar, eu não consigo.
Não há vestígios, e eu me acabo por mim mesma, com este peito ferido diante de incertezas que me põe à prova. Mas eu insisto, não dá pra ir a luta, e imploro por algo que me dê denovo as memórias, as palavras, os gestos, os sorrisos..

sexta-feira, 2 de julho de 2010

2009.

Preciso me lembrar da alegria de ter te encontrado, da alegria de ter tido você como uma das principais figuras da minha vida.
não sei mais quem é você.

mas você permanece aqui dentro, como aquela chama que não apaga com um sopro.
tu nunca soube do que fez na minha vida..tá aí por esse mundo e se esqueceu do que plantou aqui.

Talvez eu nunca tenha te conhecido.


E você não sabe que estou aqui. E que todas as noites você permaneceu em uma intacta existencia que inventei só pra mim, pra eu nunca perder seu abraço.
Eu só sinto, só penso, só vivo.

Essa é a minha casa.

Eu vou lhe mostrar o caminho pra minha casa, não é tão complexo, mas leva alguns minutos, o que vai fazer termos muitas conversas a jogar fora.
Eu nunca tive medo de te mostrar tudo o que eu sentia. Mas eu tentei me segurar várias vezes, e, talvez eu tenha conseguido.
Não precisa pensar que hoje, eu ainda penso que podemos voltar, porque eu não penso. Essa época, de tão sofrida, me cansou, e hoje o que eu tenho de você aqui dentro é totalmente diferente.
Eu fui uma certeza, só nunca entendi o porque de tu nunca entender isso. Não quis machuca-lo, quis lhe fazer entender que eu era uma certeza, era só mostrar que sabia e que queria uma certeza na sua vida.
Eu chorei por você sim, algumas vezes, chorei porque não queria que estivesse acontecendo aquilo, porque muitas coisas desnecessárias nos fizeram abalar, até chegar no que somos hoje.

Mas eu não me arrependo, você me mostrou o caminho até você, e hoje eu sei que por mais que nós não tenhamos as mesmas conversas, eu posso contar com você pra me fazer sorrir.
E eu sei..foi um pouco demorado, mas o céu estava tão bonito que eu resolvi ir pelo caminho mais longo.
Essa é a minha casa.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quem procurar não vai me achar..

Eu não quero ser mais um rascunho na sua vida. Não! Daqueles que tu rasga toda hora, amassa, joga no lixo, e começa a história denovo.
Você quis mudar essa história, tentou o tempo inteiro como se eu fosse outro alguém. Mas hoje eu não te ligo mais, e eu não tenho as marcas desse passado refletidas no espelho em que me vejo.
Se um dia voltar a pensar em tudo o que viveu comigo, quero que veja meu semblante, em todos os lugares. Como naquele dia de chuva, que eu tentei te dizer várias palavras e o vento levou todas, tu nunca se lembra.

Parece mentira, mas eu acordei. E não passou tanto tempo, foi a verdade que passou por mim.
Foram outros olhos que dispertaram o grande medo de cair novamente..esse buraco me puxa e suga todo o meu ar, tirando a vida do que eu já senti.

Não mudei minha vida, foi a vida que me mudou.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Make A Move.

Eu entendo que por um segundo, tu passou a ver o que antes lhe tampava a visão. E que na trilha da lembrança, muitas lágrimas rolaram de seus olhos, tão grandes, e arregalados. Quando as vezes pensei em voltar, pensei tanto que quase me esgotei, senti apreço pelos meus atos de não tentar novamente. Se no verão passado eu não soube ver, não é no próximo que algo vai mudar.

Nada muda se eu não sair do lugar.

sábado, 19 de junho de 2010

Se eu pudesse.

Se eu pudesse escreveria todos os versos do mundo para que tu pudesse ler e assim enchergar..Não mostrei a você o que eu via. Me prometi sigilo.
Você foi sem me avisar. Como sempre me mostrando que eu, sempre me engano. E nesse sigilo eu calo tudo o que me faz olhar pra trás, e ver que um dia lembrei de você ao colocar a cabeça sob meu travesseiro.
Se eu pudesse te chamaria de canto. Mas eu não tenho esse encanto, eu só sei te olhar. E de longe isso me fere, sem calcular, que nem sequer vai notar.

Se eu pudesse voltaria no tempo, pra sentir aqueles ultimos abraços.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Nem o tempo.

Sobre mim, é um caso quase perdido. Tentei fumar, tentei beber, tentei jogar. Tentei de tudo. Só não tentei não tentar.
Meus sonhos são falidos pela metade, porque esperança aqui nunca faltou. Mas as vezes fica difícil, e eu sei que isso é normal.
Meu coração já está rasgado por memórias que me servem somente como um gatilho, só que eu não ligo, nessa cidade incrívelmente não vejo ninguém, de qualquer maneira.
Se eu tentasse mudar...Bom. Não sei se seria uma tentativa satisfatória. Sentiria nostalgia desse ser inacabado que chamo de eu. Só que eu sinto falta de não saber, as vezes. Sinto falta de chorar por besteiras, chorar quando minha mãe dizia ''não''.
Hoje eu me dou por mim.
Minhas perspectivas de vida são sempre as mesmas, estas não mudam nem com o tempo. Achar alguém que me ame sempre foi a principal delas, desde que tenho 7, ou 8 anos. Só que não vem ao caso. É, não tem um caso. Tem um conto de fadas, tem um cheiro de morango e ultrapassa os limites de velocidade de qualquer neurônio.
Eu queria também entender quando alguém me mostra algo oculto. Eu nunca entendi.

O bom de tudo é que eu sei ser feliz quando estão todos felizes.
O bom é que não sei guardar mágoa.

brighter - paramore (nowplaying)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Equilíbrio.

Tenho pedido por socorro, mas ninguém tem me encontrado.
Então fantasmas me assombram, pois estou longe do que me deixa no ponto.
Os anos passam tão depressa, e nessa estrada em que eu passei, vi muitas faces.
No entanto, a sua está cravada em minha mente. Seus olhos me servem de compania pras vezes que me sinto insegura. E quando lembro sua boca, me vem palavras a dizer, há conflitos entre si próprio.
Tenho ficado confusa. Tenho ouvido outras frases, e elas não vieram de você.
Me falta chão, me falta algo concreto. No qual eu possa pisar e me equilibrar.

terça-feira, 9 de março de 2010

A única exceção.

E aí, você entende que não importa os caminhos que percorreu, ou que vai percorrer. Na prateleira das exceções, você é o que permanece, seja em um cordão, ou em uma lembrança. Porque exceções são únicas. E hoje eu vejo que não há tantas em minha vida, e eu nem quero poder imaginar até quando você vai estar sempre aqui. Não sei até quando você vai suportar todas essas situações, todos esses confrontos que deixa enfraquecer o sentimento. Mas o sentimento de exceção é único. E ele não passa tão depressa assim, não para mim.
As vezes eu prefiro passar bem longe do que me lembra você, e tento te distanciar, pra que tudo se deixe perder, só que é tudo em vão. Me lembro das vezes em que me apertou com seu abraço, me lembro das rodoviárias, me lembro de quando estou bem com você.
A um tempo atrás eu jurei pra muitas pessoas e pra mim mesma que não iria me envolver com ninguém mais, por medo, por eu ser como eu sou, pra não me machucar mais e nem machucar os outros. O problema foi te encontrar.. Com essa sua cara de exceção.
Tem noites que eu tenho vontade de te ligar, pra te lembrar que eu tô aqui, mas eu penso bem e deixo como está, enfim, não quero te mostrar tanto assim que você é a minha exceção, que eu me importo sim e penso em você todas as vezes que eu como um churros, ou quando eu vejo algum desenho de águas vivas. Também aqueles desenhos de mangá que eu nem sei se é esse o nome mesmo, mas que você desenha muito bem. Me lembro do seu jeito de fumar, me lembro da sua empolgação para beber ou trocar idéias, fazer amizades novas. Me lembro até do que eu não ví. Das suas brincadeiras, de quando você me tira e me deixa muito sem graça, haha. E quando você me liga? É tão engraçado. As vezes fica um silêncio eterno..me dá vontade de rir.
Eu sei que você sabe, mas as vezes é bom te lembrar, porque são tantas idas e voltas que fica complexo de acreditar. Você é a única exceção. Posso passar por todos os caminhos possíveis, você sempre vai ser quem eu prezo de verdade, quem eu tenho vontade de morrer quando abraço, quem eu fico feliz quando estou junto porque eu sei que valeu a pena. Porque é você quem faz com que tudo valha a pena.
Eu sei que essa não é a última vez que escrevo pra você, nem a primeira, mas tudo vai indo mal. Tá que, todas as vezes eu penso que é o fim, mas até hoje nunca foi, fica difícil de assimilar. Sou sincera e digo que tenho medo do que pode acontecer, em base de tudo que já está acontecendo. Fica um ponto de interrogação gigante na minha mente, todas as vezes que eu penso, penso e penso, e não consigo ver nada mesmo assim.
Eu também não queria ficar demonstrando meu amor por você. Eu não queria mas eu tô. Porque eu necessito disso. Porque se eu não dizer tudo que está intalado na minha garganta eu não vou dormir direito. E eu sei que não dormirei mais direito.
É isso.

Eu te amo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ladrão de sonhos.

- Palavras sempre me fizeram ficar. Queria que isso não soasse um tanto convincente para todas as idas e voltas não se tornarem frequentes..
Subiu as escadas.. Grande idéia. Ficaria longe do previsto, pelo menos por um tempo se é o que te faria bem naquele momento. Entrou pelo quarto onde estava todas as lembranças: fotos, palavras, bichinhos de pelúcia. Podia ouvir todos murmúrios se esvaiando de dentro das paredes, todas as promessas também. Aquelas que lhe fizeram ficar.. Realmente, queria que isso não soasse um tanto convincente para todas as idas e voltas não se tornarem frequentes. Alí era seu refúgio, porém, não naquela hora. Quanto mais queria fugir, mais encontrava o que te fazia lembrar, e assim, se cansou. Dormiu e não pôde mais sonhar. O que te fazia bem ou mal estava presente na sua vida.
Era tão cansada de andar e nunca chegar, estava tão indisposta. Quando acordava, ouvia sorrisos, não conseguia se lembrar da despedida. Sua lembrança estava inalcançável, como algo tão distante que não se pode tocar. Só se lembrava de quanto doía não poder lembrar.
Sua mente então, colocou limitações para que o previsto não acontecesse, não viveu na paz, mas esqueceu aquilo que um dia lhe fez não querer acordar.